TRANSPLANTE CAPILAR

Planejamento do Transplante Capilar

Transplante Capilar

Além da técnica, os fatores que levam ao bom resultado de um transplante capilar são o planejamento e análise prévia das características de cada paciente. Assim, examinar as considerações abaixo indicadas é bastante relevante para que a técnica de transplante de unidades foliculares atinja seus objetivos e traga os resultados esperados ao paciente.

Objetivos Realistas

A área doadora de cada um de nós é finita. Quanto maior a calvície, menor a área doadora e vice-versa. Quem mais precisa de cabelo é justamente quem menos tem para transferir. Assim, cada fio transplantado deverá ser utilizado para obtermos o melhor resultado estético possível. É imperdoável desperdiçá-lo colocando-o em locais inadequados, seja concentrando-os demais e descobrindo outras regiões, seja espaçando-os demais e obtendo resultados muito rarefeitos. Frequentemente é conveniente recuar a linha anterior e manter parcialmente as entradas para reduzir a área a ser transplantada, dando a ilusão de que se está começando a perder cabelo.

Uma vez que o transplante capilar dura por toda a vida, nós queremos garantir que sua aparência parecerá natural com o passar dos anos. Muitos homens sentem e dizem que não ligam para a aparência que terão em 10 a 20 anos, mas baseado em nossa experiência com homens de todas as idades, a preocupação com a aparência não termina nunca.

Idealmente busca-se um equilíbrio entre a densidade e área de cobertura, dando-se preferência por ter maior densidade em regiões “chave”, para aumentar o preenchimento com um mesmo número de fios.

Grandes Calvícies

Calvície com necessidade de transplante capilarNas grandes calvícies há um desequilíbrio desfavorável entre a área doadora e a na área receptora. A tentativa de cobertura de toda área calva resulta em grande rarefação e, portanto em maus resultados. Nestes casos é preferível priorizar a linha anterior e a região frontal, que devolvem a “moldura do rosto” e fazem aquela diferença entre ser calvo e não ser calvo. Homens que estão ou ficarão muito calvos devem adaptar suas expectativas a aceitar que mesmo após o término do tratamento haverá áreas sem cabelo (geralmente entradas e coroa) ou mesmo áreas com menos cabelo do que gostaria. Mesmo em calvícies extensas há área doadora suficiente para o transplante na região frontal. Isto faz uma grande diferença na aparência e na autoconfiança de uma pessoa.

Características do Cabelo

As características do cabelo determinam resultados bastante diferentes. Deve-se levar em conta essas diferenças individuais para definir o plano operatório em busca do melhor resultado possível.

Como regra geral, cabelo fino permite resultados extremamente naturais, mas oferece menor cobertura do que o fio grosso. Uma pessoa com cabelo muito fino pode tanto aceitar uma aparência mais rala ou pode colocar maior densidade numa região menor. A natureza oferece compensação ao dar às pessoas de cabelo fino mais fios por unidade folicular.

O cabelo grosso é o que dá maior preenchimento, mas atenção especial deve ser dada na criação de uma linha anterior.

O cabelo ondulado ou crespo cobre melhor a calvície do que o cabelo liso, especialmente se deixar o cabelo mais longo.

Quanto menor for o contraste entre a cor do cabelo e a cor da pele, melhor é o resultado. Com um mesmo número de fios pode-se ter a ilusão de maior preenchimento se o cabelo for, por exemplo, escuro e a pele do couro cabelo também. A associação de cabelo claro e pele igualmente clara também dá ilusão de uma densidade superior à existente.

Um artifício para potencializar o resultado em qualquer transplante de cabelo é manter o cabelo mais curto nas laterais e mais longo no alto da cabeça. O penteado para o lado é o que dá maior impressão de preenchimento, enquanto que o penteado para trás ajuda a cobrir uma coroa calva ou com pouco cabelo.

Características do Couro Cabeludo

Na técnica FUT a maior ou menor elasticidade do couro cabeludo interfere na nossa capacidade de retirar mais ou menos pele. Na técnica FUE isto não é tão importante, embora a cirurgia também seja mais fácil quando a pele é mais macia. A textura e a irrigação sanguínea do couro cabeludo também interferem na facilidade e velocidade do transplante de cabelo, permitindo a colocação de um número maior ou menor por procedimento. A existência de cicatrizes prévias pode reduzir a circulação sanguínea e dificultar a operação.

AS ETAPAS DE UM TRANSPLANTE CAPILAR COM A TÉCNICA FUE

A lógica do Transplante de Cabelo utilizando-se exclusivamente de unidades foliculares é a perfeita mimetização da natureza. Embora torne a cirurgia mais longa e cansativa, o resultado mais natural, a redução de cicatrizes e a formação de crostas menores e com eliminação mais precoce fazem valer a pena um sacrifício de algumas horas a mais para tantos benefícios.

Para que você entenda todo o processo, vamos detalhar cada etapa do procedimento.

DESENHO DA LINHA ANTERIOR

“Um Transplante Capilar não pode parecer um transplante”.

O plano operatório deve levar em conta diversos fatores. O ponto principal do desenho é a linha anterior. Na natureza essa linha não é uma linha. Há na realidade uma zona de transição com uma borda irregular onde o cabelo torna-se mais denso. Essa região tem saliência e reentrâncias de diferentes dimensões e existe uma variação de espaçamento e densidade entre essas irregularidades.

A linha anterior deve mimetizar a natureza. Não padronizamos o seu desenho porque entendemos que diversos fatores devem ser levados em conta para obtermos o melhor resultado para cada pessoa. Levamos em conta o formato da cabeça, idade, prognóstico da calvície, densidade da área doadora, tipo de cabelo, cor do cabelo, contraste entre a cor da pele e do fio, etc. Criamos uma linha “irregular” com saliências e reentrâncias.

Esta linha irregular é apenas um dos segredos para se obter resultados naturais no Transplante Capilar.

Qualquer desenho deve levar em conta a perda futura de cabelo e as limitações da área doadora. Geralmente um balanço deve ser feito entre os objetivos atuais e as necessidades futuras. Prioridade deve ser dada em regiões específicas da cabeça e a área doadora deve ser explorada para se obter o máximo em resultado estético.

Com a cuidadosa obtenção de fios da área doadora, seja com a dissecção sob o microscópios digitais ou a retirada de cada unidade folicular com a técnica FUE, mais cabelo fica disponível para cobrir a área receptora.

Depois da linha anterior, a área de maior importância é a região frontal, que vai da linha anterior até a linha mais distante do couro cabeludo quando visto de frente. Esta é a área mais visível quando alguém olha para você de frente, ou quando você se olha no espelho. O cabelo faz a moldura do rosto, suaviza suas expressões e dá a você uma aparência mais jovem. Principalmente na porção mais anterior dessa região, logo atrás da linha anterior a densidade é importante e, portanto, as unidades foliculares devem ser colocadas de forma mais concentrada.

Nas regiões mais posteriores pode-se diminuir a densidade se houver limitação de área doadora. Nesse local há menor percepção da calvície, que ainda pode ser camuflada penteando-se o cabelo anterior para trás ou para o lado. Com isto consegue-se uma “ilusão” de maior preenchimento. Pode ser útil deixar esses fios um pouco mais longos para aumentar a cobertura.

Além de limitar a área receptora, os fios transplantados devem ser introduzidos em orifícios angulados para mimetizar a anatomia normal do couro cabeludo. Na região superior e anterior os fios normalmente têm uma inclinação para frente, enquanto que nas regiões temporais inclinam-se também para baixo. Na coroa deve-se seguir o “redemoinho”. Essa disposição é a mais natural e evita a lesão dos fios remanescentes, quase sempre presentes. Somos contrários à inclinação dos furos para trás ou para um dos lados, que limitam a capacidade de alterar o penteado e levam a resultados muito artificiais. Nos casos em que existem inclinações incomuns pode-se manter a inclinação original se os fios remanescentes tiverem a possibilidade de permanecer ainda por um longo período.

RETIRADA DA ÁREA DOADORA

Os fios a serem transplantados são obtidos da região onde os fios não caem. É a chamada área doadora. Baseada na densidade de cabelo nas regiões temporal e occipital e na densidade desejada para a área receptora, determina-se a quantidade de cabelo a ser transferida.

É extremamente importante ter em mente que a área doadora é finita e utilizá-la bem é fundamental para garantir um bom resultado a longo prazo. Não se pode perder a oportunidade (única) de iniciar bem sua restauração capilar e manter a naturalidade à medida que o tempo passa e a calvície progride.

Com o advento da técnica FUE, o tão temido corte e sua consequente dolorosa cicatriz linear proporcionada pela técnica FUT na área doadora deixaram de existir. As unidades foliculares são retiradas uma a uma da chamada área doadora, com o auxilio de um micropunch motorizado de 08 a 1mm, não deixando portanto, a cicatriz linear no couro cabeludo. Milhares de cicatrizes puntiformes deixam um aspecto que varia de pessoa para pessoa, sendo imperceptíveis na maioria dos casos. De qualquer forma permitem que o paciente opte por qualquer corte de cabelo no futuro, sem medo que se perceba sinais de uma operação. Assim, a grande maioria de nossos pacientes tem optado pelo implante capilar com a técnica FUE por ser menos agressivo e não deixar uma cicatriz linear na área doadora.

Nesta técnica os fios da área doadora devem ser aparados a uma altura aproximada de 1 mm. Em razão da inexistência de corte na área doadora, na maioria dos casos o pós operatório é indolor ou com discreto desconforto.

 Anestesia

O implante capilar com a técnica FUE é realizado com anestesia local, com o paciente em decúbito lateral (de lado) ou ventral (de bruços). A retirada dos fios é cuidadosa e segue-se perfeitamente a sua inclinação fios para se preservar ao máximo sua integridade.

 PREPARAÇÃO DAS UNIDADES FOLICULARES

 TÉCNICA FUE

Na técnica FUE as unidades foliculares não precisam ser lapidadas. Após serem retiradas podem ser imediatamente implantadas.

O uso de lupas muito potentes aliadas à utilização da luz de led frontal e a motorização do procedimento garantem a cuidadosa retirada das unidades foliculares com o mínimo de perda possível, pois se reduziu o tempo de espera entre a extração e o seu transplante.

O uso de outras técnicas com mínimo (lupas cirúrgicas) ou nenhum aumento (olho nu) há um desperdício de até 20% dos fios, que são lesados e desprezados durante o processo de dissecção. Além disso, as técnicas mais grosseiras lesam também fios na área receptora, além de provocar cicatrizes inestéticas e diminuir a circulação local.

COLOCAÇÃO DAS UNIDADES FOLICULARES

Cirurgia de transplante capilarApós anestesiar a área receptora são criados milhares de orifícios. Estes micros túneis têm a profundidade exata da raiz do cabelo, em torno de 5 mm. Para evitar que os fios fiquem muito tempo fora do corpo retiramos apenas uma parte dos fios para serem transplantados o mais rápido possível.

No transplante capilar com a técnica FUE, as unidades foliculares são implantadas na área receptora com o auxílio de implantadores para garantir o menor trauma possível e, consequentemente, elevados índices de aproveitamento dos fios transplantados.

Essa colocação é realizada uma a uma com atenção para manter a integridade de todas as estruturas da unidade folicular, girando-a para que a inclinação do fio coincida com a inclinação dos orifícios.

A técnica de fazer todos os orifícios primeiro tem diversas vantagens. A inclinação dos furos é muito mais precisa. É possível manter o foco no planejamento inicial sem perder tempo com a colocação imediata das unidades foliculares. É possível aumentar a densidade, já que cada furo não provoca a saída dos enxertos da vizinhança. Enquanto são feitos os furos na área receptora, parte da equipe está ocupada com a retirada das unidades foliculares da área doadora.

Com orifícios pequenos é possível ter alta densidade e, ao mesmo tempo, a menor lesão vascular possível. O pós-operatório também é melhor, já que as crostas são minúsculas e caem mais rapidamente.

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